domingo, 25 de setembro de 2016
quinta-feira, 30 de junho de 2016
Ontem, 29/06/2016 a minha aula de Sala de Leitura com as Etapas Básicas da EJA foram maravilhosas. Eles vêm com tanta vontade de aprender.
As Etapas Básicas são as turmas de Alfabetização. Para mim, um grande desafio, pois não sou alfabetizadora. Minha formação é em História. Além disso temos uma unica aulinha por semana, 45 minutos, para dar conta de trabalhar o universo imenso de vivências dos alunos. O que apresentar? O que seria bom, necessário e prazeroso para eles? E assim eu vou trazendo aquilo que toca meu coração. Leitura de contos e crônicas, Leitura e audição de músicas, notícias de interesse. Agora estamos degustando poesias.
Ontem, após semanas de imersão na leitura de autores extraordinários como: Drumond, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Luiz Gonzaga, Manuel Bandeira, Cora Coralina, José Craveirinha, Manoel de Barros, e outros, disse a eles que nós iríamos produzir poesias e prosas.
Ficaram assim me olhando. De jeitos diferentes. Alguns: "Isso Professora, me dê desafios. Eu posso escrever poesias ou prosas". Em outros eu percebia a viagem mental e emocional que em poucos minutos faziam em suas histórias de vida, e uma oportunidade de contá-las. Outros, olhares inseguros. Duvidas. Será que posso? Como?
Bom...quem vai aprender mesmo sou eu ao promover essas oficinas de poesia. Por isso, caso alguém que leia isso, tenha dicas de como fazer isso muito bem, me digam.
No final da aula. depois de elogiar a leitura de um aluno, um homem de 40 anos +/-, ele me contou, resumidamente, sua historia de vida: Foi pouquinho tempo na escola. Aprendeu a ler mesmo com a irmã mais velha. Depois veio para São Paulo e foi aprendendo a ler nos letreiros da cidade. Trabalha como cozinheiro e precisa ler os menus do chefe do restaurante. Tem que se virar. Veio para a escola para aprender a ler e acabou me fazendo esse relato poético, que ele produziu, ali, sem nem perceber:
"Professora, eu sou um homem muito feliz, muito feliz mesmo.
Só numa coisa me Sinto incompleto que é a leitura. Eu não tenho
luxo para nada. Negócio de carro,ter isso ter aquilo. Nada mesmo.
A única coisa que eu queria mesmo era ler bem. Eu acho a coisa
mais bonita do mundo ver alguém lendo bem, Eu sinto uma alegria
mesmo quando vejo alguém lendo bem assim perto de mim".
Ele falou isso emocionado, e, em seguida a sua colega ao lado, D.do Carmo também mandou poesia:
"Professora, o analfabeto é o cego que vê. Vê, mas não enxerga tudo.
É como se tivesse um cortininha nos olhos que agora esta abrindo
devagarinho"
Vocês viram que lindo. Alguem ja disse, "a poesia está no mundo", é só aguçar a alma e pegá-la. Aguardem esses meus alunos.
As Etapas Básicas são as turmas de Alfabetização. Para mim, um grande desafio, pois não sou alfabetizadora. Minha formação é em História. Além disso temos uma unica aulinha por semana, 45 minutos, para dar conta de trabalhar o universo imenso de vivências dos alunos. O que apresentar? O que seria bom, necessário e prazeroso para eles? E assim eu vou trazendo aquilo que toca meu coração. Leitura de contos e crônicas, Leitura e audição de músicas, notícias de interesse. Agora estamos degustando poesias.
Ontem, após semanas de imersão na leitura de autores extraordinários como: Drumond, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Luiz Gonzaga, Manuel Bandeira, Cora Coralina, José Craveirinha, Manoel de Barros, e outros, disse a eles que nós iríamos produzir poesias e prosas.
Ficaram assim me olhando. De jeitos diferentes. Alguns: "Isso Professora, me dê desafios. Eu posso escrever poesias ou prosas". Em outros eu percebia a viagem mental e emocional que em poucos minutos faziam em suas histórias de vida, e uma oportunidade de contá-las. Outros, olhares inseguros. Duvidas. Será que posso? Como?
Bom...quem vai aprender mesmo sou eu ao promover essas oficinas de poesia. Por isso, caso alguém que leia isso, tenha dicas de como fazer isso muito bem, me digam.
No final da aula. depois de elogiar a leitura de um aluno, um homem de 40 anos +/-, ele me contou, resumidamente, sua historia de vida: Foi pouquinho tempo na escola. Aprendeu a ler mesmo com a irmã mais velha. Depois veio para São Paulo e foi aprendendo a ler nos letreiros da cidade. Trabalha como cozinheiro e precisa ler os menus do chefe do restaurante. Tem que se virar. Veio para a escola para aprender a ler e acabou me fazendo esse relato poético, que ele produziu, ali, sem nem perceber:
"Professora, eu sou um homem muito feliz, muito feliz mesmo.
Só numa coisa me Sinto incompleto que é a leitura. Eu não tenho
luxo para nada. Negócio de carro,ter isso ter aquilo. Nada mesmo.
A única coisa que eu queria mesmo era ler bem. Eu acho a coisa
mais bonita do mundo ver alguém lendo bem, Eu sinto uma alegria
mesmo quando vejo alguém lendo bem assim perto de mim".
Ele falou isso emocionado, e, em seguida a sua colega ao lado, D.do Carmo também mandou poesia:
"Professora, o analfabeto é o cego que vê. Vê, mas não enxerga tudo.
É como se tivesse um cortininha nos olhos que agora esta abrindo
devagarinho"
Vocês viram que lindo. Alguem ja disse, "a poesia está no mundo", é só aguçar a alma e pegá-la. Aguardem esses meus alunos.
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